quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Encare seus demônios



O Dr. Bruce Banner é uma cara legal, cientista brilhante e educado. Mas ele tem um problema: quando fica com raiva, se torna o Hulk, uma criatura verde gigante, forte e irada, que sai quebrando tudo o que vê pela frente. Todos temos algo comum com ele: carregamos, dentro de nós, emoções e pensamento negativos, coisas das quais temos vergonha e que podem ser muitos destrutivas. Alguns são tão assustadores e difíceis de admitir até para nós mesmos, que a gente varre para debaixo do tapete ou jogamos numa gaveta onde não queremos que os outras pessoas vejam.

Todos nós, em alguma vez na vida, tivemos inveja, ciúme, ganância, etc. Não há razão para negar essas atitudes negativas, pois é parte do que é o ser humano. A mesma pessoa que é generosa e educada, também sente raiva e preconceito.

Ninguém gosta de admitir que sente inveja. Pega mal. Mas, para nós mesmos, é melhor falar a verdade. Assim como a sede alerta sobre a desidratação, e a dor, que há algo errado no corpo, as nossas emoções e atitudes negativas servem de alerta para questões que nos afetam de maneira mais profunda. Por mais que você negue ou finja que não têm pensamentos e emoções negativas, não adianta: elas continuam existindo. E a melhor forma de lidar com isso é encarar de frente os nossos demônios, os nossos monstros internos. Eles não são verdes e nem saem por aí quebrando bairros inteiros, mas têm força para destruir nossos sonhos e relacionamentos.

O real problema com estes pensamentos, é o que fazemos com eles. É isso que deveríamos ensinar: tudo bem ter preguiça de ir para escola ou trabalhar, mas mesmo assim você tem que levantar e ir. Tudo bem sentir raiva, mas não fiquei remoendo a raiva até o dia seguinte e bater em quem te ofendeu. Quando duas pessoas brigarem, e outros pedem que eles "façam as pazes", estão comentendo, de certa forma, uma violência. Não é hora de eles se abraçarem: eles estão com raiva! Isso pode acontecer depois, quando os ânimos estivem mais calmos. Um outro exemplo: dizemos para as crianças, com as melhores da intenções, para não chorarem. Ora bolas, a tristeza da criança é legítima e sincera ! Não é errado chorar, e ela tem esse direito.

Me responda: Quando uma pessoa que sabe que pisou no seu pé e nem pediu desculpas, quem sofre é a pessoa que pisou ou você que fica remoendo aquela sensação ? Ao contrário de atitudes como compaixão e bondade, que nos deixam mais leves e tranquilos, as atitudes negativas são desconfortáveis, aflitivas, machucam e não ficamos em paz. E ao não sabermos o que fazer com nossa raiva (ou qualquer outra emoção e atitude negativa), machucamos os outros e a nós mesmos.

Como a gente não costuma mexer em algo que que não quermos ver, e que deixamos no escuro, ele fica empoeirado e com tem teia de aranha. Mas negar que ele existe, por medo de enfrentar, é como não ir ao médico por medo do diagnóstico. A doença não vai desaparecer só porque você não compareceu à consulta. Da mesma forma, emoções guardadas não irão embora. Elas darão um jeito de sair de vez em quando. É aquele dia em que você, calma e equilibrada, se pega gritando com seu esposo. Ou o pai, que berra e xinga o filho. E você se torna uma pessoa ansiosa e come ou bede demais.

Saiba que os nossos demônios, feridas e medos não nos define, assim como uma dor de dente ou uma coceira na perna não nos define. O que temos que fazer é ver as coisas como elas são, sem querer colorir onde não há cores.

E como a gente faz para lidar com este lado sombrio que todos temos ? Fácil não é. Preste atenção nos seus sentimentos algumas vezes ao dia. Por exemplo: toda vez que tocar seu celular, se pergunte se está bem e em paz, se sua mente está aflita e preocupada. Você ficará surpreso ao perceber o quanto os pensamentos negativos são frequentes. A partir do reconhecimento a gente lida melhor com o problema.

Ok, você reconheceu que tem defeitos, e agora o que fazer ? Não fique bravo consigo mesmo. Você precisa perdoar-se, pois eram as defesas que você tinha na ocasião, e você as usou da forma que pôde. As atitudes negativas são nossas feridas, resultado de nosso sofrimento. E não faz sentido brigar com alguém por estar ferido, faz ? A compaixão começa, em primeiro lugar, com a gente mesmo. Lembre-se: ninguém pode dar o que não tem tem. É como querer que um cachorro fale em vez de latir.

Você não deve culpar outra pessoa e nem precisa culpar a si mesmo por erros do passado. Eles falaram coisas maldosas pelas mesmas razões que nós. Seja amigo de você mesmo, para ser amigo dos outros. Procure ajude para ficar em paz, e assim, terá paz com os outros. Se o que pega é a raiva, há livros, técnicas e terapias para aprender a viver com ela. Se é a ansiedade, a mesma coisa: procure um psiquiatra ou um psicólogo. Se você for não se julgar com tanta severidade, ficará mais fácil ser assim com os outros, pois entenderá que eles também estão feridos e que precisam de uma palavra de encorajamento para vencer.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Diminua a sua velocidade

Há inúmeros itens que consumimos durante o dia (televisão, internet, telefone, etc.). São muitas informações mas não se estresse. Sei que mudar hábitos é uma das tarefas mais difíceis. O que sugiro não é parar por completo, mas desacelerar.
A responsabilidade de filtro é nossa. Você não pode culpar a batata frita pela obesidade, pois a falta de educação alimentar é nossa. O mesmo se dá por você ter tantos "deveres" diários. Não culpe o calendário, você é dono(a) do seu tempo.
Observe o que acontece no momento em que a situação se apresente. Observe sua pisada e sua postura.
Dê mais atenção às informações emenos distração na internet. Reduza ao máximo os estímulos da vida moderna.
Tenha mais tempo para se aprofundar em leituras e concentração paa ler o que realmente interessa.
Falar ao telefone é falar ao telefone! Atender chamadas durante conversas e refeições está proibido. E ler ao jornal ou revista durante o café da manhã, nem pensar! Faça uma coisa por vez.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Um pedido ao editor dos meus (futuros) livros


Já faz alguns anos quando decidir que quero ser escritor, entenda-se, de livros. Ainda não publiquei. Talvez você não gostará dos meus (futuros) livros. Eu sei o porquê. Ou melhor, desconfio:

1.Eu não fico com o cabelo despenteado, passando a metade do meu tempo com raiva de tudo, e a outra metade, deprimido.

2.Não vivo em bares, discutindo com outros escritores despenteados.

3.Não falo difícil. Meu vocabulário são de apenas 3 mil palavras. Não entendo temas como semiótica, neoconcretismo e nem sei sobre Tolstói.

4. Não tenho o dever e a obrigação de ser incompreendido por minha geração de cristãos.

5.Não detesto outros escritores e nem seduzo uma uma mulher com um poema escrito em guardanapo.

Mas , mesmo com todas estas informações, por favor:

1.O preço do livro não ultrapasse R$ 0,10 por página;
2.Receberei 10% do preço final por cada livro publicado;
3.Escolherei a capa do livro entre 3 opções.
4.Fonte Arial, espaço entre parágrafos e não separar sílabas;
5.Publicar em formato brochura e em território nacional.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

São Paulo, o melhor lugar do mundo


O melhor lugar do mundo é aquele que você sente que pertence a ele.
Há pessoas felizes e realizadas em todos os lugares, que, aliás, são os mesmos locais em que há também pessoas insatisfeitas e amarguradas. Ou seja, antes de procurar o melhor lugar do mundo para viver, você deve encontrar-se a si mesmo, caso contrário, você sempre estará no lugar errado. Encontrar o melhor lugar para viver, ganhar a vida, criar filhos, etc, tem que ter a ver com essa missão. Isto significa pertencer a um lugar.
Em francês, terra é terre e terreno é territoire. Mas os franceses têm mais uma palavra relacionada: o terroir. Um território onde a geografia, a geologia e o clima interagem favoravelmente com a genética de determinada variedade de planta, dando como resultado um produto de qualidade excepcional. Um terroir é sempre um terreno, mas um terreno nem sempre é um terroir.
O homem é o guardião do terroir, e como tal, passa a fazer parte dele. Em geral são pessoas que, além do conhecimento e da dedicação, são dotadas de tamanha paixão, que faz com que misturem sua vida com a vida daquele local. Então um terroir é uma terra com paixão. Sem esse ingrediente, será apenas um terreno.
Meu terroir é a cidade de São Paulo, o lugar onde me sinto bem. O sertanejo do nordeste resiste a sair do local seco e inóspito, assim como o sofrido beduíno saariano e o estressado executivo nova-iorquino. Quando alguém muda, das duas uma: ou se encontra no lugar que encontra ou volta às origens. Sinto falta de seu agito e energia quando eu saio da daqui. É uma cidade grande de tudo, mas é meu lugar.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Você tem 5 minutos ?



Em primeiro lugar, obrigado. Se você está lendo este meu texto, é porque me emprestou cinco minutos do seu tempo. Eu sei que parece durar mais que isso, mas, acredite, dá para você ler o que escrevi nesse tempo. Mas espere ! Não comece a contar ainda. Se eu só disponho deste poucos minutos da sua atenção, quero toda pra mim. Para me certificar de que você vai estar concentrado, peço que tire o relógio, para você não olhar para ele todo o tempo. Prometo que quando der cinco minutos eu aviso.

Ahh...antes que eu esqueça: Feliz 2013 para você ! Eu quero recarregar as energias e começar o ano, de fato, revigorado e com o coração mais leve. Quero deixar para trás amarguras e ressentimentos. E acho que você também tem esse desejo. Também quero ouvir melhor o que as pessoas tem a me dizer ou até mesmo o que não conseguem dizer, mas falam assim mesmo.Toda grande arte está fundada na capacidade que um ser humano tem de se comunicar com o outro. E aprender a ouvir tem a ver com generosidade. Essa é grande oportunidade que temos todos os anos para nos livrarmos do peso que arrastamos durante os últimos meses, e que nos oprime o peito e que nos deixa exaustos. Mas como será que se faz isso ? Para isso acontecer quero tomar medidas práticas.

Pois bem, voltando ao assunto, se você atendeu ao meu pedido para ler o que eu tenho a dizer, já aprendeu a mais importante lição para combater a falta de tempo: reservou um tempo para você ! Tudo bem, fui eu que pedi para você fazer isso, mas até parece que eu consigo obrigar alguém a fazer alguma coisa. Não mesmo. Você esta lendo porque se interessou pelo assunto e deu importância. Parabéns.

Reserve 1 hora para você todos os dias. Acredite, é o que basta para aprender a se livrar dessa doença moderna: a falta de tempo. Tempo livre desenvolve a criatividade. Se a ideia é fazer cada vez mais coisas, não adianta nada abrir espaço na agenda: o dia vai continuar não tendo 24 horas para você ! Quando foi a última vez que você reservou 60 minutos só para a sua vontade, sem dividir a atenção com mais nada ?

Você pode estar pensando: "Este Well, não sabe nada de mim mesmo. Como ele me pede para eu reservar um tempo só para mim ? Eu não tenho tempo ! ". Eu te endendo. Eu sei que parece a história da pílula para matar a sede. Mas só funciona com água. Afinal, se você está como o tempo tomado, de onde tirar alguns minutos para si mesmo ? A diferença está no objetivo. Se você quiser mais tempo para fazer mais coisas, a sensação da falta de tempo não vai passar nunca, porque você acabará em uma nova tarefa, em um ciclo infinito.

Mas, afinal, qual é a vantagem de reservar 1 hora todos os dias para mim ? Para se manter saudável. Manter um tempo livre, sem obrigações, faz bem para o corpo e mente. Senão, a saúde pifa.

Comece abrindo espaço na agenda, mas para deixá-lo em branco, à disposição da sua vontade. É simples, mas sei que não é fácil, porque não estamos acostumados a gastar tempo conosco. O que quero que entenda é que o tempo não pára, é precioso, mas não viva com aflição se obrigando a ocupar todo o tempo. Use o tempo a seu favor, não seja escravo dele. Não se sinta culpado ou ansioso por ter alguns minutos de sobra.

Bem, estamos quase chegando aos 5 minutos que você reservou para mim. Aproveito estes últimos segundos para lhe dizer: sinta prazer em aproveitar as pequenas coisas que faz. Nestes 60 minutos que você vai separar para você, faça o realmente tem vontade de fazer e não por obrigação. Eu gosto de ficar deitado lendo um livro ou uma revista. Não importa como você vai usar seu tempo livre. O que interessa é o que fazer com prazer. Nesses 60 minutos faça o que quer, e não se preocupe, você terá o resto do dia para fazer o que os outros querem ou o que precisa fazer.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Onde eu vou passar o Ano-Novo ?




Já faz alguns dias que muitos me perguntam: "Well, onde você vai passar o Ano-Novo ?".

Eu me sinto na obrigação de dar a essa pergunta uma resposta bacana a quem me pergunta. Pega supermal eu mandar um "ainda não decidi" ou "em casa" (ou pior "vou trabalhar"). Vão pensar que sou um doente, ou um anormal, ou pior um alien.

Eles ia gostar se eu respondesse que ia passar o Natal com minha família, perto de uma árvore gigante cheia de luzes e presentes (eles não querem saber que eu não sou católico e  nem acredito no Papai Noel).
É uma obrigação moral comprar bugigangas em até 24 vezes para a felicidade geral da nação. Obrigação moral, decorar a própria casa com luzes feéricas. Obrigação moral contemplar a beleza clássica de árvores de Natal gigantes como a do Ibirapuera. Obrigação moral aceitar na boa que muita gente se desloca quilômetros apenas para fazer fotos em frente a cartões-postais do Natal corporativo, como certa sede de banco na avenida Paulista. É uma obrigação moral ser jeca e fazer como todo mundo faz, e, como todo mundo, plastificar um sorriso na cara e acreditar com toda sua alma que você é feliz.

Obrigação moral, sabemos, não passa de uma convenção social de uma época.

Felicidade hoje é o destino último da humanidade, e quem não acreditar nisso talvez nem humano seja - é o que reza o senso comum de nossa época. Precisamos ser felizes. Não só: precisamos ser mais felizes que os outros. Precisamos ser felizes e divulgar nossa felicidade no Facebook. E o mês de dezembro é o apogeu desse período de felicidade obrigatória, que ainda vai se arrastar até o Carnaval. Todo ano veremos as mesmas matérias preguiçosas na mídia: a multidão se arrastando na rua 25 de Março. as retrospectivas do ano que passou, as perspectivas do ano que virá; as famílias que se reencontram nesse período; as árvores de Natal pelo mundo; a correria das compras de última hora; os terminais rodoviários e os aeroportos repletos de gente indo encontrar seus entes queridos... Zzzzzz.

Todo ano apesar dos pesares, conseguimos ultrapassar para o outro lado sãos e salvos (tirando nossos saldos bancários). o que se celebra nesses dezembros não é o futuro, e sim o retorno a um idílico e impossível passado, quando todos éramos irmãos e nos dávamos presentes uns aos outros sob a mesma árvore na mesma hora marcada. Um idílico passado que ambicionamos volte a iluminar nosso futuro. Quem quiser acreditar nisso não vou dar uma de desmancha-rodinha. Só não vá se estressar com todo o estresse ao redor.

Por falar em passado, futuro e estresse, o terceiro pode ser combatido quando se esquece o primeiro e o segundo. É o clássico fundamento do taoísmo: vivemos angustiados porque não nos desapegamos do passado e não paramos de pensar no futuro. Há uma excelente história taoísta que expressa exatamente esse ponto de desequilíbrio que todos vivemos. Não sou taoísta, mas, no momento do "respira fundo e conta até 10 antes de chutar a cabeça do primeiro Papai Noel que olhar pela frente" eu juro que tento me lembrar da historinha. Nem sempre consigo. Mas a história é boa:


Um dia, andando na selva, um homem encontrou um tigre feroz. Ele correu para salvar sua vida, perseguido pelo tigre. O homem chegou à beira de um precipício, e o tigre estava quase alcançando-o. Sem opção, ele se agarrou a uma parreira com suas duas mãos e desceu. No meio do precipício, olhou para cima e viu o tigre no topo, arreganhando os dentes. Ele olhou para baixo e viu outro tigre, rugindo e esperando sua chegada. E ficou preso entre os dois. Em seguida, apareceram dois ratos sobre o precipício, um branco e outro preto. Como se ele não tivesse preocupações suficientes, os ratos começaram a roer a parreira. Sabia que, se os ratos continuassem a roer, chegaria um ponto em que a parreira não poderia suportar seu peso, causando sua queda. Tentou espantar os ratos, mas eles voltavam e continuavam a roer. Neste momento, ele observou um morangueiro crescendo na parede do precipício, não muito longe dele. Os morangos pareciam grandes e maduros. Segurando-se na parreira com apenas uma das mãos, com a outra colheu um morango. Com um tigre acima, outro abaixo, e com os ratos continuando a roer a parreira, o homem comeu o morango e achou-o absolutamente delicioso.


É uma história sobre viver o momento: embora presa de uma situação desesperadora, o homem elegeu não deixar que os perigos o paralisassem. Segundo o Tao, o topo do precipício representa o passado. Subir em direção ao topo do precipício seria revisitá-lo. O tigre no topo é o perigo de insistir no passado. A base do precipício é o futuro. Descer pela parreira para mais perto da base do precipício é especular sobre o futuro. O tigre na base é o perigo de ficar excessivamente preocupado com o que está por vir. Não temos como conduzir todo esse nervosismo para uma ação efetiva; ele se expressa como tensão e stress. Descemos na parreira, ficamos perto do tigre, permitimos que nos morda. O tigre na base simboliza a morte - que espera pacientemente por todos nós no futuro.

A posição do homem entre os dois tigres é o presente. O que chamamos de "agora" pode ser um conceito bastante difícil de precisar - ainda mais se você estiver na fila de uma loja de brinquedos, procurando vaga no estacionamento ou comprando um pão racionado na fila da padaria em algum bacanudo balneário. Assim que apontamos para um instante e o definimos como "agora", ele passa e não é mais o presente. O presente, como o Tao, desafia uma definição. A parreira é a vida no mundo material. Da mesma forma que o homem segura a parreira com as duas mãos, apegamo-nos teimosamente à vida física. Os dois ratos são a passagem do tempo: branco e preto para simbolizar o dia e a noite. Os ratos roem a parreira, fazendo com que fique cada vez mais fraca - como cada ciclo de dia e noite nos aproxima da morte. Por fim, o morango representa a beleza inesperada, a bem-aventurança, a energia e a vitalidade do aqui-agora, sempre disponível aos que têm a habilidade de vê-la e fruí-la. Colher o morango é aproveitar o momento.

domingo, 14 de outubro de 2012

Liberdade de Expressão e Crença




Eu não tenho problema nenhum com o politicamente incorreto. Muito pelo contrário. Sou capaz de entender uma piada ou rir de algum comentário que envolva esse tipo de humor, inclusive quando ele é dirigido a algum grupo do qual eu faço parte (brasileiro, são-paulino, cristão, e por aí vai). E não gosto das pessoas que se mostra horrorizada com o politicamente incorreto. Não pode fazer piadas sobre a esquerda ou sobre a direita; times de futebol; questões raciais; religiões; não pode isso, não pode aquilo, etc.

Os islã também se sentiu agredido com o vídeo de 14 minutos Inocência dos muçulmanos e as charges do profeta maomé pelo jornal da dinamarca Jyllands Post em 2006 e os cartuns publicados pelo semanário francês Charlie Hebdo satirizando o islamismo em 2012.

Como lidar com o princípio da liberdade de expressão - um dos pilares da democracia - sem ofender a liberdade religiosa de alguns grupos - também um dos pilares da democracia ?

Numa democracia laica, nenhuma autoridade ou grupo religioso, tem o direito de exigir aquilo que os cidadãos devem acreditar, pensar, ler,desenhar, escrever, assistir, ouvir, falar, filmar ou publicar. O direito de pensar sem censura é fundamental.

Nenhuma ofensa, deve ser pretexto para ameaças de morte ou violência. A lei existe para que se alguém se sentir ofendido, possa ir aos tribunais. E cabe aos juízes decidir se houve ofensa ou não, de acordo com as regras e cultura de cada país.

A liberdade de expressão deve ser protegida. Se você não gostar de algo, você não é obrigado a ler, comprar ou assistir o que lhe ofende. Voce tem o direito de fazer o que quiser com o seu tempo, dinheiro e crítica aberta.

Ofensas religiosas não são ataques pessoais. Está nos campo das ideias. E eu posso discordar do que voce acredita. E voce também de mim.

Por que razão uma pessoa sem religião tem de se obrigar a considerar sagrados símbolos que eu considero ? Não tem. E nem precisa, já que para ela não têm nenhum valor especial. Da mesma forma que para um cristão como eu, Maomé não é sagrado. Eu vivo sob a lei brasileira, não sob a lei do Corão.