terça-feira, 10 de novembro de 2015

Vamos aprender brincando ?



Se algo que você está fazendo é chato, esse algo pode ser chamado por você de importante, útil, necessário, etc, mas não podemos chamar de brincadeira. O brincar está relacionado ao prazer. Uma brincadeira deve sempre proporcionar alegria. Não pode ser trabalhoso. Nesse sentido, o lúdico tem caráter de liberdade e não da produtividade.

A brincadeira e os jogos, além de serem agradáveis, devem ser um incentivo ao desenvolvimento de novas habilidades e à busca de novos conhecimentos. Um bom jogo não é aquele em que você deve dominar e fazer tudo corretamente, o importante é que se possa jogar de maneira lógica e desafiadora, e que o jogo proporcione um contexto estimulador para nossas atividades mentais e amplie nossa capacidade.

Através da brincadeira, criamos um espaço de aprendizagem em que podemos nos expressar, de modo simbólico, nossas fantasias, desejos, medos, sentimentos, habilidades, etc. Daí a importância de jogos e brincadeiras no processo de aprendizagem.

Nos jogos e brincadeiras, começamos a estabelecer e entender as regras e respeito. Aprendemos a esperar a nossa vez e também a ganhar e perder. E com isso, aprendemos a autoavaliação.

Desse modo, nos jogos e brincadeiras, devemos elaborar e resolver conflitos e hipóteses de conhecimento e, ao mesmo tempo, desenvolver a capacidade de entender pontos de vista diferentes do nosso, de fazer-se entender e de coordenar o nosso ponto de vista com o do outro. Uma ótima forma de aprender a se relacionar em grupo, contribuindo para desenvolver a solidariedade e a cooperação.

Por meio dos jogos e brincadeiras, pode se criar uma série de situações que envolvam equilíbrio e outros desafios corporais com uso de objetos, de obstáculos e alvos. Combinados entre si, os jogos podem garantir situações significativas de aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento cognitivo e social. 

A aceitação e a utilização de jogos e brincadeiras como uma estratégia no processo de ensinar e do aprender têm ganhado força entre os educadores e pesquisadores. Por isso, o professor ou a professora, considera as brincadeiras uma forma de trabalho pedagógico que estimula o raciocínio e favorece a vivência de conteúdos e a relação com situações do cotidiano.

Essa estratégia de ensino e de aprendizagem em sala de aula deve favorecer aos estudantes, proporcionando a vivência de situações reais ou imaginárias, propondo aos estudantes desafios, levando-os a raciocinar, trocar ideias e tomar decisões. 

Além disso, enquanto o professor ou a professora estimula o desenvolvimento intelectual dos alunos e alunas, também ensina, sem que elas percebam, os hábitos mais necessários ao seu crescimento, como persistência, perseverança, raciocínio, companheirismo, entre outros.

E agora que você aprendeu o valor das brincadeiras, vamos ensinar brincando ?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Não rejeite ninguém. Ninguém mesmo !


Como você reagiria se soubesse que cerca 400 milhões de crianças no mundo são chamadas de "avoadas", "vivendo no mundo da lua" e geralmente "estabanadas" e com "bicho carpinteiro" ou “ligados por um motor” ? Você ficaria chateado, triste ou tentaria saber a razão disso ?

Pois é. Isso ocorre porque essas crianças tem um transtorno neurobiológico, de causas genéticas. que se chama Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Aparece na infância e freqüentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida com sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Ele ocorre em 3 a 5% das crianças, em várias regiões diferentes do mundo em que já foi pesquisado. Em mais da metade dos casos o transtorno acompanha o indivíduo na vida adulta. Ele é chamado às vezes de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção).

O que essas crianças fazem ? 

Essas crianças tem muitas dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores, pois não param quietas por muito tempo. Os meninos tendem a ter mais sintomas de hiperatividade e impulsividade que as meninas, mas todos são desatentos.
Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano: são muito esquecidos, inquietos, e "colocam os carros na frente dos bois".

E por que ? 

Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).

E o que causou pra essas crianças serem assim ? 

Antes quero lhe dizer que aspartame, deficiência hormonal (principalmente da tireoide), e deficiências vitamínicas na dieta não causam TDAH. Todas estas possíveis causas foram investigadas cientificamente e foram desacreditadas. E antes que eu esqueça, problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo.

E agora vamos a causa e vou ser bem direto: predisposição genética. Vale aqui lembrar que eu não disse determinação genética, mas sim em predisposição ou influência genética. Envolve vários genes, e não um único gene.

Outra possível causa são as substâncias ingeridas na gravidez: como a nicotina e o álcool. Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção.

Outra possível causas é o que chmamos de sofrimento fetal: mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem filhos com TDAH. Ou seja, a carga genética que a própria mãe tem (e que passa ao filho) é que estaria influenciando a maior presença de problemas no parto.

Exposição a chumbo:Crianças pequenas que sofreram intoxicação por chumbo podem apresentar sintomas semelhantes aos do TDAH. Entretanto, não há nenhuma necessidade de se realizar qualquer exame de sangue para medir o chumbo numa criança com TDAH, já que isto é raro e pode ser facilmente identificado pela história clínica.

Algumas teorias sugeriam que problemas familiares (alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, famílias com apenas um dos pais, funcionamento familiar caótico e famílias com nível socioeconômico mais baixo) poderiam ser a causa do TDAH nas crianças. Mas outros estudos recentes têm refutado esta ideia. As dificuldades familiares podem ser mais conseqüência do que causa do TDAH (na criança e mesmo nos pais).

Depois de tudo isso agora vc percebe que alguns genes podem estar agindo em alguns pacientes de um modo diferente que em outros; eles interagem entre si, mas não podemos também esquecer das influências ambientais como fatores da cauda do TDAH.

E eu com isso ? 

Voltando ao texto inicial da nossa conversa, como vc deve reagir ? Ou melhor dizendo, como você deve lidar com crianças e adultos com TDAH ?

Reforçe o que há de melhor na pessoa  com TDAH.

Não faça comparações. Não esperar ‘’perfeição’’.

Não cobre resultados, cobre empenho.

Elogie! O estímulo nunca é demais.

Manter limites claros e consistentes, relembrando-os frequentemente.

Use português claro e direto, de preferência falando de frente e olhando nos olhos.

Escolher cuidadosamente a escola e a professora para que a criança possa obter sucesso no processo de ensino-aprendizagem.

Manter em casa um sistema de código ou sinal que seja entendido por todos os membros da família.

O quarto não pode ser um local repleto de estímulos diferentes: um monte de brinquedo, pôsteres, etc.

Usar um sistema de reforço imediato para todo o bom comportamento da criança.

Nenhuma atividade que requeira concentração (estudo, deveres de casa) pode ser muito prolongada.

Intercale coisas agradáveis com tarefas que demandam atenção prolongada (potencialmente desagradáveis, portanto).

Use mural para afixar lembretes, listas de coisas a fazer, calendário de provas. Também coloque algumas regras que foram combinadas e promessas de prêmio quando for o caso.

Procure o máximo de informações possível sobre o TDAH: leia livros, faça cursos, etc.

Lembre-se que o ser humano com TDAH está sempre tentando corresponder às expectativas, mas às vezes não consegue.

Incentivar as brincadeiras com jogos e regras, pois além de ajudar a desenvolver a atenção, permitem que a criança organize-se por meio de regras e limites e, aprenda a participar, ganhando, perdendo ou mesmo empatando.

Texto adaptado do site  http://www.tdah.org.br - Associação Brasileira do Déficit de Atenção

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Professor: será que é isso mesmo o que eu quero ?

Hoje na sala de aula, Marcelo Teixeira, me disse: escrevi um texto pra colocar no seu blog. Uau! fiquei surpreso e alegre ao mesmo tempo. Surpreso porque há meses que eu tinha pedido algum texto deste meu amigo e brilhante escritor, autor do blog Mais Cultura Brasileira ! (maisculturabrasileira.blogspot.com.br). E feliz, porque teria, enfim, o privilégio, de ter um texto no meu blog, de um cara com uma inteligência e um esforço digno de mestres.

Eis o texto na sua íntegra:

"Professor: será que é isso mesmo o que eu quero ?

Com  tantos  dilemas  e  desafios  educacionais,  conflitos igualitários,  desafios  diários  e  a  luta permanente  pela educação brasileira, há uma pergunta pertinente que precisa urgentemente  de  uma resposta  cabível  de  pensamentos estratégicos: será que é isso mesmo o que eu quero para o meu futuro?

Ser professor numa metrópole como São Paulo ou  Rio  de  Janeiro  ou  nos  cafundós  escondidos  do  sertão nordestino, cada qual com sua cultura e seus trejeitos, suas ramificações  e  seus paradigmas, ser educador numa seara com grandes dificuldades  facultativas  torna-se,  ao  mesmo tempo, sedutor e desafiador, estimulador e característico de ressalvas problemáticas, em que o sistema nos impõe limites, mas a prática nos prega pragas.

Para tanto, ser professor requer muito mais que ser educador: é ser plausível de uma luta constante pela identidade de um  aluno,  pela perseverança de uma criança indefesa, pela sensibilidade de um adulto sagaz, pelo crescimento de ideias e pelo caráter de um ser humano. Requer, acima de tudo, muita dedicação, muita afetividade, muita garra, perseverança e muita capacidade em poder manter uma classe numerosa em silêncio, impondo seus conhecimentos  e  seu  respeito.

Ser  professor  é  saber procurar distinguir o certo do errado, o sujeito obscuro do objeto  perverso,  o adjetivo  vulnerável  do  substantivo incompleto,  do  verbo  imperativo  para  o  verbo  conjugado numa preposição indigesta entre o saber e a epistemologia.

Em minhas viagens pelo Nordeste brasileiro, pude conhecer alunos  que  moravam longe  de  suas escolas,  mas  que  não perdiam  a  chance  de  irem  à  escola  ao  menos  para aprenderem  o alfabeto.  Conheci  professores  que  faziam questão de ensinar e conheci professores que faziam de tudo para que seus alunos não perdessem aulas.

Ser professor é ter a capacidade de poder ensinar ao próximo aquilo  que sabe, que adquiriu, que absorveu. E é a realização plena deu ma sabedoria sem fim. Mas será que é possível, nos dias de hoje, com a tecnologia avançada, com alunos rebeldes, com diretoria  atrasada,  com leis  não  cumpridas, com sistemas burocráticos,  ser  professor?

Ainda  não  tenho  a  resposta concreta e precisa, mas sei que podemos lutar pela educação brasileira e retirar de suas mazelas a sabedoria de um futuro melhor, com alunos mais determinados ao conhecimento e a sensatez de uma categoria digna de um respeito profundo."

E no cabeçalho do e-mail que recebi do texto que ele me enviou, estava escrito: Espero que goste ! Ahhh...meu amigo, como não gostar ? Você me deu um texto bem escrito, coerente, e muito objetivo. Você se expôs de forma sincera suas dúvidas e reflexões, não apenas sobre o papel do professor, mas o desafio de ser educador. E isso de uma forma apaixonada.

Espero, de coração, que você continue tendo foco no que faz;
Que você termine seu curso com maestria;
Que você continue sendo este líder de classe, não apenas com ótima oratória, mas com exemplos de comportamento que todos nós nos espelhamos.

Enfim, Marcelo Teixeira, lhe desejo esperança, não do verbo "esperar", que é uma simples espera. Quero que tenha esperança do verbo "esperançar": não desistir, ir atrás dos seus objetivos e confiar cada vez mais em si mesmo. Você pode! Você consegue !


domingo, 27 de setembro de 2015

Aprenda com a Psicologia


As teorias de ensino e aprendizagem se apoiam em diferentes visões e interpretações do ser humano e o seu mundo. Uns defendem o aspecto da motivação na aprendizagem, outros realçam o conteúdo do ensino, e outros, a didática. E foi assim que as investigações sobre a aprendizagem e ensino deram origem a várias linhas pedagógicas. Nunca esquecendo que o principal sujeito desse processo todo é o próprio aluno.

Já que a educação é um fenômeno complexo, é fundamental que consideremos a globalidade e a diversidade das práticas pedagógicas de ensino. A função do professor é ensinar e a do aluno é aprender. Não é adequado o professor dizer que ensinou para os alunos, se os alunos não aprenderam. Só há ensino se há aprendizagem. E a aprendizagem demanda o ensino. Aí entra a Psicologia no processo ensino-aprendizagem, contribuindo como uma ponte, para que este processo tenha êxito.Pensando e repensando as práticas pedagógicas para que se façam de um modo mais ético e eficaz.

A psicologia estuda o que motiva o comportamento humano. Ou seja, suas emoções, percepções de mundo, aprendizagem e inteligência. "A contribuição da psicologia do desenvolvimento para áreas de educação e capacitação tem sido significativa e, de maneira menos óbvia, influenciou também os pensamentos sobre a relação entre o desenvolvimento infantil e as atitudes em relação à raça e ao gênero" (Vários autores, O livro da Psicologia. Trad. Clara M. Hermeto e Ana Luisa Martins. São Paulo: Globo, 2012. pp. 12-13).

Ao transmitir o conhecimento para os alunos, o professor desempenha também a função de formador da personalidade de seus alunos, gerando o desenvolvimento intelectual, afetivo e social. Portanto, a Psicologia ajudará o professor a desenvolver conhecimento e habilidades.

Dessa forma, a Psicologia contribui para que o professor desenvolva a capacidade de investigar a próprio ensino para construir e transformar a si mesmo e seus alunos, num processo contínuo de construção de ensino-aprendizagem e  professor-aluno. Além dos pais, direção e demais pessoas que interagem nesse ambiente, propiciando uma reflexão conjunta que possibilite o levantamento de estratégias que venham a sanar as dificuldades enfrentadas.

É dever do professor o aperfeiçoamento intelectual e a renovação da sua didática para cada situação: além dele mesmo que ensina, de quem aprende e do conteúdo do que se ensina.

Saber fazer é fundamental para o ser humano. Portanto, devemos criar meios e metodologias para tornar a aprendizagem e o ensino com eficiência.

domingo, 13 de setembro de 2015

Todos temos alguma deficiência !

Você conhece alguém que não enxerga? O que ela é ?
Como você descreve uma pessoa que não escuta ?


Pense antes de falar, pois se você usar terminologias erradas, como "inválido", "excepcional", "aleijado", "defeituoso", "incapacitado" propagará preconceitos, criando segregação e a exclusão da pessoa com deficiência.

Ninguém carrega, leva ou porta sua deficiência. A pessoa tem uma deficiência. Não dizemos e nem escrevemos que uma pessoa é portadora de olhos castanhos ou de pele clara. Então, porque muitos continuam a dizer que fulana é "portadora de necessidades especiais" ? Quando se rotula alguém como "portador de deficiência", a deficiência da pessoa passa a ser "a marca registrada".

Valorize o ser humano, e não a sua deficiência.

Felizmente muitos já entenderam. A Associação de Assistência à Criança Deficiente - AACD, que anteriormente se chamava Associação de Assistência à Criança Defeituosa. Quer outro exemplo? Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - CORDE, que mudou de nome para Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Muitas professoras de Educação Inclusiva e Instituições, inclusive as próprias pessoas com alguma deficiência física, usam termos não adequados como:
"portadoras de deficiência" (alguma pessoa pode deixar sua deficiência em casa e partir sem ela ?)
"especiais" (ué, você não é também especial ?)

Esses são termos que não se deve usar. A terminologia correta é pessoa com deficiência. Simples assim. Não tente inventar.

E, quer saber a real ? Todos nós temos alguma deficiência em algo, concorda ?

Todos temos limitações. Pois é. Eu também tenho.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Você usaria uma camisa rosa ?


Há muito preconceitos e discriminações no mundo inteiro. 

Aqui no Brasil é comum ouvirmos que todos os evangélicos são fanáticos, que todos que usam óculos são muito inteligentes, entre outros estereótipos.
O mais comum é se ouvir que homem que usa camisa rosa é gay.

Para muitos a cor rosa é feminina e que esta cor nos faz pensar em delicadeza. E você não quer que seu filho vire gay, quer ? Se é uma menina, não esqueça de pintar o quarto de rosa e comprar cortinas cor-de-rosa. Brincadeira rsrsrs.

Mas você sabia  que até o começo da Primeira Guerra Mundial, as pessoas não se importavam com a cor do sexo seus filhos ?  A cor da fralda do bebê era a última coisa que se pensava naquela época.
Um editorial de 1918 de uma revista declarou que rosa era “uma cor mais decidida e forte…Mais adequada para o garoto; enquanto azul, que é mais delicado e gracioso, é mais bonito para a menina”. Na época fazia 
sentido: rosa é a cor do sangue de seus inimigos espalhado em um uniforme branco.

Mas as coisas começaram a mudar em 1927, e houve uma discordância sobre qual gênero deveria ter qual cor: a revista Time até publicou uma tabela mostrando quais lojas estavam defendendo cada opção. 

Somente nos anos 40 as cores foram trocadas e os publicitários decidiram deixar a cor rosa para as meninas.

E até hoje muitos homens tem resistência a certos tipos de cores, pois para eles é uma ofensa a nossa virilidade.

E aí ? Tem coragem de usar uma camisa rosa ?

domingo, 3 de maio de 2015

Eu era um provocador covarde !




Na minha época de escola não se falava em bullying. Mas existia. E muito.

E sabe o que é pior ? Eu era o causador de bullying não só da minha sala, mas de quase todo a escola.

Estudei minha infância na Escola Nossa Senhora de Fátima, um colégio particular, dirigido por padre. Mas isso não me impedia de bagunçar na sala, brigar e tirar a paciência de qualquer um !

Hoje me preparando para escrever este texto, tentei puxar na lembrança o real motivo porque eu fazia isso. Eu como filho único, talvez, quisesse ser popular e não ser tão sozinho. Isso não justifica o que eu fazia, mas explica.

Eu me sentia satisfeito oprimindo meu coleguinha obeso, ou calado, ou o que usava óculos. Escrevo isso com remorso e culpa.

Alguns coleguinhas da sala procuraram ajuda, e eu repetidas vezes fui até a diretoria junto com meus pais. Mas as provocações cessavam apenas por um tempo.

Escrevendo isso você talvez pense que eu não tinha amigos e nem era solidário. Tinha sim, e muitos amigos. Eu era o titular do time do futebol na escola. Nunca fui reprovado e no terceiro semestre minhas notas já me indicavam que no quarto semestre eu podia faltar muito e bagunçar mais ainda !

Fazendo uma análise crua e imparcial das minhas atitudes, posso dizer que eu era um aproveitador covarde. Digo isso porque eu sabia que eles não iam se defender e ficavam com medo e inseguros. Isso me leva a outro raciocínio: será que se eles fossem ensinados a se imporem e se defenderem dos meus ataques, eu continuaria ? a resposta é óbvia: não.

Mas isso fica para um próximo assunto. Abraços

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O trabalho me liberta ou me escraviza ?



Não gosto de trabalhar. Portanto, o trabalho me escraviza ! Pronto. Falei.

Não finjo que gosto de trabalhar. Meus colegas e minha família sabem que não gosto de trabalhar. E sei que não sou o único a pensar assim. Mas poucos tem a coragem de falar. Caso não queira continuar a leitura deste texto, eu te entenderei. Tchau.

Você ainda está aí ? Então vou te explicar melhor.

Dia 1º de Maio está chegando: o dia do trabalho. E quem tem meu Whatsapp, se surpreende com meu status: Eu não gosto de trabalhar ! É comum eu ouvir: "Mas como assim Well ? "

Gente, não gostar de trabalhar é algo muito comum de acontecer. Se no século XVI eu dissesse: que o deus que a Igreja Católica acredita me escraviza, provavelmente eu seria queimado na fogueira. No século XXI muitos criaram para si outro deus: o trabalho.

Neste mundo que vivemos, o trabalho virou algo portador de um fim em si mesmo. Você trabalha porque precisa. E eu trabalho porque também preciso ! A menos que você herdou muitos bens ou ganhou na loteria rs.

Porque estou falando disso com você ?

Inicialmente, lá nos idos dos séculos XVII até o XIX, isso não era normal, de forma que foram necessários, novamente, assassinatos, torturas e perseguições, para que fosse aceita a férrea disciplina do trabalho, a privatização da terra e das fábricas e a conversão dos camponeses ligados à terra em mão-de-obra barata, disciplinada e obediente. Exatamente como acontece hoje !

O ponto central da minha crítica é o seguinte: trabalhamos, trabalhamos e trabalhamos pra gerar acumulo de dinheiro (e isso acontece tanto nas sociedades capitalistas quanto nas socialistas). E pronto! A ligação desse nosso trabalho com nossas reais necessidades não importa em nada! A roda da economia tem que continuar girando ! Pense nisso.

Ahhhh...se fosse diferente pra mim. Meu sonho seria 6 horas de trabalho, 8 de lazer e 10 horas durmindo ! Mas... enquanto esse dia não chega, me matriculei em um curso de licenciatura. Isso mesmo! Quero muito ensinar História. Ou seja, procurei algo que gosto de fazer e não vou desistir. O que não deve é se deixar levar pela preguiça. Precisamos nos ocupar com um trabalho que nos satisfaça, nos realize e nos faça crescer tanto pessoal quanto profissionalmente.

Um dos meus professores recomendou a leitura de Os trabalhos e os dias do poeta Hesíodo. Também traduzido para o português como As Obras e os Dias. É um poema de de 828 versos que aborda duas verdades gerais: o trabalho é o destino de toda pessoa, e aqueles que estiverem dispostos a trabalhar sobreviverá. Hummm.....tudo haver comigo.

A obra além de conter conselhos e recomendações, prescrevendo uma vida de trabalho honesto, atacando a ociosidade e juízes injustos, bem como a prática da usúria. O poema fala do trabalho como fonte de todo o bem, na medida que tanto os deuses quanto os homens desprezam os ociosos. Vish...nessa eu me dei mal.

Mas calma aí. Eu perco 4 horas diárias da minha vida apenas indo e voltando do meu trabalho. Chegando lá trabalho 12 horas seguidas e tenho que achar isso normal ? Essa é uma lógica do Estado e dos Sindicatos dos trabalhadores que dizem proteger meus direitos. Mas não engulo essa não.

Pense comigo. As sociedades indígenas clássicas, sem Estado, não conhecem o conceito de fome.

Por mais que, lendo esse texto, continue me achando um bobo, tenho certeza de que no íntimo você sente que o trabalho não dignifica o home. Pelo contrário, o escraviza. Já imaginou a sua vida sem essa prisão ? Todos sonhamos com isso !

Agora, não sejamos hipócristas. A crítica à ideologia do trabalho deve se fundamentar numa perspectiva não só realista, mas também prática. Primeiro, não devemos esperar que as pessoas, amanhã, deixem de ir trabalhar. Todos estão presos a essa lógica, dependemos dos nossos trabalhos pra sobreviver. Deixamos que as coisas chegassem a esse ponto, e para desconstruir isso demora milênios! Temos que procurar ganhar dinheiro sob outros princípios, voltados não para o atendimento dela mesma, mas sim das nossas reais necessidades, e não apenas das nossas vontades.

Entendeu agora o porque que o trabalho nos escraviza ? Ainda se choca quando eu falo que não gosto de trabalhar ?

"Arbeit macht frei", que traduzindo em português significa "o trabalho liberta", é a escrita que aparecia a entrada dos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Essa dizia o contrário do que acontecia dentro dos campos de concentração. Em vez da liberdade, os judeus que lá se encontravam presos muitas vezes eram brutalmente assassinados.

Esses tempos já passaram, e hoje todos dizemos que o trabalho dignifica o homem. Mas isto não passa de um condicionamento psicológico que nos é imposto pela sociedade. Me pergunto: que sentido há em acordar todos os dias no mesmo horário para ir ao trabalho, satisfazer o interesse de outras pessoas, por causa de uns trocados que nos serve para comprar comida e bens materiais ? E a vida como fica ? Que tempo sobra para curtir o lazer ?

Eu a isso chamo escravidão. Uma escravidão moderna, psicológica, e muito mais eficaz. Porque o escravo verdadeiro não é aquele que está acorrentado, mas aquele que pensa que o seu proprietário o faz um favor e é incapaz de imaginar a liberdade. É deixar roubarem tua própria vida. É permitir com que sejas dominado pelo sistema social que nos impõe a viver para trabalhar, e não a trabalhar para viver.

Eu não quero apoiar a preguiça. O que quero é que entenda que também é um ser humano útil aquele que prefere dedicar-se a arte, a leitura, etc.

O trabalho deve conviver com a liberdade. Fazer o que o se gosta de fazer. Viver a própria vida. E não renunciar a própria vida, simplesmente para poder obter dinheiro.

Trabalhar é importante, mas não podemos nos deixar dominar psicologicamente. Devemos gostar de dinheiro sim. Mas não amar o dinheiro. Não se deixe dominar por ele.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Cabeça bem cheia não quer dizer cabeça bem feita



Há pessoas que têm menor bagagem cultural, mas têm uma inteligência mais madura e prática em comparação das que têm muita cultura.

Uma cabeça bem feita permite o melhor desenvolvimento das suas habilidades profissionais, intelectuais e emocionais. É uma cabeça apta para organizar os conhecimentos, fazendo uma seleção do que vale a pena aprender e reter este aprendizado.

O pensador e sociólogo francês Edgar Morin considera que a nova escola deveria estimular a todos uma formação para capacitá-los a ter o que ele chama de conhecimento pertinente.
Ou seja, uma conhecimento prático, eficaz, útil. Para ele, o conhecimento progride não tanto por sofisticação, formalização e abstração, mas, principalmente, pela capacidade de contextualizar e englobar.

"Na escola primária nos ensinam a isolar os objetos (de seu meio ambiente), a separar as disciplinas (em vez de reconhecer suas correlações), a dissociar os problemas, em vez de reunir e integrar.
Obrigam-nos a reduzir o complexo ao simples, isto é, a separar o que está ligado; a decompor, e não a recompor; e a eliminar tudo que causa desordens ou contradições em nosso entendimento.
Em tais condições, as mentes jovens perdem suas aptidões naturais para contextualizar os saberes e integrá-los em seus conjuntos"(Morin, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Tradução Eloá Jacobina. 19ª ed. Rio de Janeiro - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011. p. 15).

Assim, para ele, temos dois tipos de reflexão hoje em dia, os cabeça-cheia e os que tem a cabeça-feita.

Os cabeça-cheia têm o saber pelo saber sem um critério de seleção e organizado que lhe dê sentido.
Os outros, os cabeça-feitas, por outro lado, têm uma inteligência geral mais abrangente em relação à vida, na sua busca em resolução dos seus problemas. Ou seja, uma cabeça bem feita, é diferente de uma cabeça bem cheia de conhecimentos teóricos sem relação direta com a vida.

Quando eu abro meu e-mail, ou acesso meu Facebook, na verdade, vejo o quanto minha cabeça anda mais cheia do que feita !

Sugiro foco em uma área do seu de interesse para o verdadeiro aprendizado. No meu caso estou focado em História e Teologia. Mas é importante também não perdermos a visão do todo, para não cairmos na mega-especialização.

O que diferencia os gênios das pessoas medianas não é a quantidade de conhecimentos que têm, mas sim a sua qualidade.


quinta-feira, 19 de março de 2015

Quero ser um professor que a faz a diferença


Estou relendo o livro de Taylor Mali: Um bom professor faz toda a diferença (quando você ler este post possivelmente eu já terminei rsrs).
Faz uns dois anos que o li, e devido à uma licenciatura que estou cursando, sentir uma vontade de reler este livro. Recomendo.

A defesa apaixonada que o autor faz aos professores me faz pensar e repensar sobre a minha missão na sala de aula.
Que tipo de relação que eu devo estabelecer com os meus estudantes? Proponho algumas diretrizes:

Eu devo observar o aluno como um todo, identificando suas expectativas, dando aulas realmente eficazes e práticas. Ou seja, compreender o aluno de forma integral, buscando identificar suas necessidades de desenvolvimento no nível intelectual, físico, emocional, social, cultural.  Criando uma relação de respeito, não apenas apenas na sala de aula, mas na sociedade como um todo. E porque não também apoiá-los a alcançar seus objetivos ?

Para isso, os professores de modo geral, (e eu me incluo), devemos conhecer que tipo de vida a família do seu aluno têm, tendo empatia para acolher as diferenças, reconhecendo que cada estudante é único, aprende de uma forma diferente e vive em um contexto que provavelmente é diferente do seu.

O primeiro passo é estabelecer uma relação mais igualitária e dialógica com seus alunos, reconhecendo seus saberes e legitimando a sua capacidade de contribuição com seu próprio processo de desenvolvimento.

Seja um mediador, facilitador e articulador do conhecimento, provocando o aluno a aprender a partir de seus próprios questionamentos. Não aceite que seus estudantes aprendam conceitos ou teorias científicas desarticulados das funções sociais e práticas da vida. Queira que eles pensem sobre a sociedade, interajam para transformá-la e construam identidades pessoais e sociais, vivendo de modo pleno.

E, talvez o mais importante até agora: seja humilde. Reconheça que pode errar e aprender enquanto ensina, inclusive com seus alunos.

sábado, 14 de março de 2015

Eu e você podemos ser melhores hoje do que fomos ontem !


Pense em alguém. Pensou ? Agora pense nos defeitos da pessoa que você lembrou e responda: alguns defeitos desta pessoa é permanente para sempre e nada pode fazer para mudar ?

É verdade que que algumas atitudes duram mais, como em alguém que fuma há 30 anos, mas esta pessoa não é fumante por natureza: antes ela não fumava e pode parar com este vício.

Se eu perdesse todos os meus relacionamentos e conexões com as pessoas que tenho, não ter um trabalho e, inclusive, não ter mais uma casa para morar, eu começaria a pedir ajuda (ou roubaria) para conseguir comida. Eu mudaria também 100 %. Perceberam que não faz sentido falar em pessoas falsas, burras, ladronas ou vingativas ? Tais negatividades não pertencem a elas e não estão incrustadas nas almas delas.

São atitudes que se manisfestaram de acordo com as posições em que elas estão na sociedade, na empresa, na família, na igreja, e com o mundo em geral. O problema é que esquecemos o contexto das pessoas ao nosso redor. Melhor do que dizer que somos corpo, alma e espírito (ou corpo e espírito, como alguns preferem), eu prefiro dizer que somos físico, emocional e espiritual. Ou seja, somos seres humanos. 


Erramos, mas podemos acertar. Temos defeitos, mas podemos mudar.

domingo, 1 de março de 2015

Qual é a sua beleza ?


O debate sobre o que é ser bonito ou bonita começou há muito tempo e não tem data pra acabar. Beleza não é só aparência física. É mais que estética exterior.

Você sabia que beleza está nos olhos de quem vê ? Pois é. Depende de cada cultura.
Nossos comportamentos, nossas atitudes, bom humor e inteligência também nos fazem pessoas bonitas. Isso derruba do que vemos em revistas e nas novelas. Antigamente ser belo ou linda era quem tinha virtudes. Atualmente, se você não se molda ao padrão de beleza das celedidades é considerado feio ou feia.

Nós homens consideramos sim a aparência na hora de escolher nossa parceira amorosa. Mas a boa aparência não é o primeiro quesito. O mais importante é estabilidade emocional, inteligência e comportamento. Já as mulheres, preferem os homens com educação, fidelidade e estabilidade financeira.

É preciso lembrar que todos, homens e mulheres, temos defeitos. Se você conhece seus defeitos e suas qualidades e é capaz de de conviver com isso, será visto como uma pessoa mais bem resolvida e mais bonita. O inverso também é verdadeiro: quem não se aceita transmite insegurança e instabilidade emocional.

A autoestima e a autoconfiança são as principais características que faz alguém ter ou não beleza. Quem resiste a um sorriso sincero, ou uma conversa agradável, é paciente ?

Se você quer ser bonita ou bonito, você pode até achar que vale a pena ter o padrão estético das revistas e filmes. E não há nada de errado em melhorar seu visual, desde que não se transforme em algo principal.

A preocupação com a aparência física é saudável. O que não podemos é exagerar, supervalorizar o corpo e esquecer todo o resto.

É fundamental perceber que há valores mais nobres no ser humano do que simplesmente a beleza exterior.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Você está preparado para mudanças na sua vida ?


O que você espera do seu relacionamento ? E do seu trabalho ? E da sua viagem ?

A história está repleta de teorias e explicações que faziam sentido na época e que agora soam absurdas. Outras ainda seguem de pé.

O contrário de provisório é permanente. Mas a única coisa que permanece na vida é a mudança. Até o que parece não mudar se transforma. Seja para melhor, pior, ou simplesmente mudar. Mas não aceitamos isso. Resistimos. Acomodação, preservação e comodidade são confortáveis. Toda mudança dói.

Comigo também é assim. Alguns dos meus pensamentos de anteontem me parecem absurdos hoje. Tenho até vergonha de lembrar. Outros sobrevivem há muito tempo. Eu sou um cara racional. Quem me conhece sabe disso. Sou daqueles que vivem perguntando o porquê das coisas. Eu preciso disso para conseguir dormir à noite.

Em todas as áreas da nossa vida acontece mudanças nas quais, geralmente, não estamos preparados. Quem consegue prevê-las ganha uma imensa vantagem sobre os demais. E isso não tem nada de místico. Prever com base na observação de pequenos detalhes faz uma imensa diferença.

Na vida ninguém tem medo de altura e sim de cair. Ninguém tem medo do escuro e sim do que esta nele.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça !



O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem interromper. Ouvir, sem julgamentos.

Escutar é uma de nossas primeiras experiências no mundo: ouvimos a corrente sanguínea da mãe, sua voz, nosso batimento cardíaco. E tudo isso nos acalma profundamente. Ouvir é extremamente prazeroso para o ser humano. Parece simples, mas ouvir de verdade, prestando atenção no que o outro está falando, não é nada fácil.
Por que não gostamos de escutar ? O controle da fala revela muito sobre você mesmo.Quem é ansioso demais vai sempre interromper o outro, e o timbre de sua voz e sua respiração traduzirão a ansiedade. Quem é egocêntrico não deixará espaço para que a pessoa à sua frente possa falar. Se eu estiver centrado apenas em meus interesses, não conseguirei me abrir para o que está além de mim. Escutando mal, nos tornamos restritos, limitados, impacientes. Mas quem começa a se dedicar a ouvir com mais atenção experimenta o prazer de ser mais calmo, acolhedor, aberto e generoso.

É do silêncio que nasce o ouvir. Só posso ouvir as palavras se meus ruídos interiores forem silenciados. Quem fala muito não ouve. Só posso ouvir a verdade do outro se eu parar de tagarelar.

Ao conseguir perceber pausas, hesitações, mudanças de timbre na voz ou alteração da respiração de quem está diante de nós, teremos uma leitura mais rica, ou até completamente diferente, do que dizem as palavras. No mínimo, poderemos dar um retorno mais apurado e preciso do que se percebeu.

Também presta mais atenção não apenas no que é dito, mas naquilo que é expresso nas entrelinhas, percebendo no outro o que talvez ele não perceba. É uma escuta atenta.

Um dos grandes presentes que se pode dar para alguém é ter tempo para escutar.

E um dos dons mais preciosos que se pode receber do outro.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Não chore pelo leite derramado


 
Todos nós nos arrependemos de algo: um hobby que foi abandonado sem motivo, uma palavra grosseira que falamos ou uma mentira que dissemos que não gostamos de lembrar. Até mesmo uma linda mulher que se foi......

O casamento é a minha aposta na tentativa de ser feliz. Nunca chamei relacionamento de "projeto". Nem de "investimento". Mas compreendo quem usa essas palavras, porque no fim das contas você "deposita" confiança, expectativa, faz planos até sem querer. Quando eu começo a namorar não demora muito e estou pensando quando vai ser o casamento. Mas ainda não aconteceu.....

E estas más experiências e perdas me ensina a viver. Elas me torna mais humano, falíveis, flexíveis. É desse ponto frágil que experimento a compaixão por outros casais que se separam, e que sofrem por isso. Conhecendo o gosto da aflição eu posso ser solidário com conhecimento de causa. O ganho dessa possibilidade de compaixão pelo outro com base em minha própria dor, já é suficiente para me perdoar dos erros e incompreensões do passado.

Toda escolha que fiz incluiu uma perda. Perde-se de um lado, mas ganha-se de outro. O problema é que tem gente que odeia perder. Deseja muito o que o outro tem e os que desejam tudo para si, sem querer abrir mão de nada. Querem ganhar sempre e não se arrepender nunca de nenhuma decisão. Ora, isso é pouco humano, uma mentira de onipotência.

Outro erro frequente: não se pode julgar uma decisão minha do passado com os olhos do presente. O que eu fiz, hoje não faria mais. Todos nós, se tivéssemos o olhar que temos hoje de alguns desvios de rota que fizemos no passado, seria pouco provável que nos perdêssemos neles. Mas nos esquecemos disso, geralmente por causa do peso da culpa. A culpa e o perfeccionismo são as duas piores doenças da alma. Em outras palavras, nós nos cobramos por uma perfeição que não existe na espécie humana. A palavra arrependimento, em grego, é metanoia, que quer dizer mudança de direção. Erramos, admitimos o erro, procuramos remediá-lo e mudamos de caminho. Só isso. É um longo aprendizado aprender a lidar com o erro de uma maneira firme, mas sem peso.

Para ser amados e aceitos, ou por amar mais aos outros que a nós mesmos, muitas vezes fazemos grandes sacrifícios.A questão real é que muitas vezes isso é feito condicionalmente, como uma espécie de troca. Nós nos sacrificamos pelos outros, mas achamos que eles nos devem na mesma proporção. Quando não há reconhecimento e mesmo o sacrifício não é aceito, é comum a pessoa se arrepender amargamente.

Eu não posso decidir pelos outros. Eles têm todo o direito de não concordar com aquilo que eu julgo ser bom para eles. Por isso, ser mais fiel a si mesmo e só fazer sacrifícios de forma incondicional pode ser um bom norte para não se lamentar mais tarde. O desejo de viver uma vida mais verdadeira e não a vida que outros esperam de nós é o primeiro grande arrependimento. Sem mentiras, sabe ?

Essa atitude é fundamental para um novo apaixonar-se, pois o amor exige a exposição ao sofrimento e uma coragem. Sem tudo aceitar e sem encantar-se com tudo, corre-se o risco de não saborear a vida. A maior solidão que se fecha, que se recusa a se dar uma nova chance no amor. E, se um dia nos arrependermos de nossa ousadia, ilusão e engano, também não há problema. O mundo é assim. Está tudo certo.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O melhor lugar do mundo é aquele que você sente que pertence a ele

Há pessoas felizes e realizadas em todos os lugares, que, aliás, são os mesmos locais em que há também pessoas insatisfeitas e amarguradas. Ou seja, antes de procurar o melhor lugar do mundo para viver, você deve encontrar-se a si mesmo, caso contrário, você sempre estará no lugar errado. Encontrar o melhor lugar para viver, ganhar a vida, criar filhos, etc, tem que ter a ver com essa missão. Isto significa pertencer a um lugar.
Em francês, terra é terre e terreno é territoire. Mas os franceses têm mais uma palavra relacionada: o terroir. Um território onde a geografia, a geologia e o clima interagem favoravelmente com a genética de determinada variedade de planta, dando como resultado um produto de qualidade excepcional. Um terroir é sempre um terreno, mas um terreno nem sempre é um terroir.
O homem é o guardião do terroir, e como tal, passa a fazer parte dele. Em geral são pessoas que, além do conhecimento e da dedicação, são dotadas de tamanha paixão, que faz com que misturem sua vida com a vida daquele local. Então um terroir é uma terra com paixão. Sem esse ingrediente, será apenas um terreno.
Meu terroir é a cidade de São Paulo, o lugar onde me sinto bem. O sertanejo do nordeste resiste a sair do local seco e inóspito, assim como o sofrido beduíno saariano e o estressado executivo nova-iorquino. Quando alguém muda, das duas uma: ou se encontra no lugar que encontra ou volta às origens. Sinto falta de seu agito e energia quando eu saio da daqui. É uma cidade grande de tudo, mas é meu lugar.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Você está sofrendo ou já sofreu por amor ?

Um homem conhece uma mulher. Ele se apaixona, mas ela não. Aconteceu comigo. E com você também ? Então você sabe como dói não ser correspondido.

Há muitos motivos pelos quais temos dificuldades em esquecer um grande amor e precisamos entender por que uma desilusão afetiva é  tão dolorida.
O amor sexual proporciona uma forte satisfação e ocupa o centro da vida de tanta gente. Depois de experimentar essa sensação uma vez, é natural que você a persiga sempre. Por isso, que eu e você sofremos quando uma paixão não dá certo.

Idealizamos demais o amor romântico. E essa é a primeira fonte do sofrimento.
Chorar e desabafar é permitido. Mas tem que haver um momento para seguir em frente. Mas por que tantas músicas e filmes de amor nos estimulam a sofrer por amor ? Esse apego ao sofrimento amoroso é uma forma de se manter ligado ao outro. Assim, você se torna uma eterna viúva, usando preto para sempre.

O amor romântico é uma construção social. O que quero dizer com isso ? Significa que eu e você aprendemos a amar (e também a sofrer por amor) com a sociedade em que vivemos. Ou seja, esse amor romântico é um conjuntos de ideias, crenças, atitudes, idealizações e expectativas do outro. Tudo isso é resultado de um processo histórico aprendido ao longo da vida, que começou no século 12 com a lenda do amor romântico entre o cavaleiro Tristão e a princesa Isolda. Essa foi a inspiração de Shakespeare para o clássico Romeu e Julieta e de tantos outros escritores até os dias de hoje.

A dor da separação ou do amor não correspondido é normal, mas você não deve usar preto para sempre. O fundamental nessa etapa é viver a realidade, não perder muito tempo remoendo o passado, saudosistas.Você precisa se programar para ocupar o tempo livre e preencher a agenda com atividades e companhias estimulantes.

Uma relação amorosa bem-sucedida traz consigo as vantagens da companhia e do sexo. Por outro lado, uma relação problemática pode potencializar suas neuroses. Muitos casais se mantêm juntos porque seus defeitos são complementares. É o que se chama de codependência. O fim desse tipo de relação é, portanto, uma oportunidade de libertação e crescimento pessoal.

Como se vê, recuperar-se de uma rejeição amorosa requer mudanças comportamentais e psicológicas. E faz parte desse processo compreender os mecanismos biológicos e culturais que levaram você até essa decepção.
Nem toda a vida é feita de um único e grande amor.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Eu perco de um lado, mas ganho do outro

Fico triste e chateado comigo quando me lembro do meu relacionamento amoroso que não deu certo, uma viagem muito desejada que não aconteceu ou uma grosseria que falei. Mas também sei que essas minhas lamentações não resistem a uma análise mais apurada dos fatos, pois toda escolha que fiz incluiu uma perda. Perdir de um lado, mas ganhei de outro. Às vezes apenas me lembro da dor, e me esqueço de considerar o alívio (que pode não ser imediato).

Preciso constantemente me fazer as pergunta: e se o que perdi foi melhor do que ganhei ? e o que ganhei me fez entender as incompreensões que eu tive no passado ?

Não quero desejar tudo para mim, sem abrir mão de nada. Eu tenho que aprender fazer escolhas certas para não me arrepender depois. Não quero chorar pelo leite derramado. O que quero é aproveitar a vida com abundância. Mas também sei que são as más experiências e as perdas que nos ensinam a viver, pois elas nos tornam mais humanos, experimentando a compaixão por outros seres que perdem e que sofrem as dores da alma.

Conhecendo o gosto amargo da aflição, serei solidário com conhecimento de causa, e assim, poderei ajudar melhor os que também sofreram e sofrem a dor que sofri.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

As lições que o jogo nos dá



Jogo é jogo, eu sei. Mas são os treinos que ajudam os craques a atuar melhor em conjunto e a ficar em forma. A vida é como um jogo de futebol. Não se mexe em time que está ganhando. Mas você está perdendo ? Então faça a virada no jogo. No centro coloque você e comece driblando os invejosos, chutando os traidores e mande para o escanteio suas lamentações de derrota. Dê cartão amarelo para os incovenientes e cartão vermelho para os inimigos. Marque quem te interressa e mate no peite a saudade s de quem você gosta. E, por fim, faça um gol de equilíbrio.

Falar é fácil, mas difícil é jogar os 90 minutos. E, claro, você vai cansar, além de cometer faltas, passos errados...Por isso, aproveite para tirar lições de tudo. Enxergue as alegrias de um pênalti como oportunidades que a vida te dá. E procure fazer o gol. Não se esqueça que a arquibancada da vida está torcendo por você !

Eu acho que você entendeu o que eu quero dizer falando de jogo, né ? Esqueça tudo o que você leu nos livros de autoajuda: encare a vida como ela é - com frustações e sem pensamento positivo. Vou ser mais direto: você deve sempre aprender a mudar de acordo com as circunstâncias e os acontecimentos da sua vida. Não importa se você tem mais idade do que eu. Também não importa de ainda tem duas décadas de vida pela frente.

Aproveite para tirar lições de tudo. Seja um eterno aluno ou aluna desta grande universidade da vida: saiba ouvir antes de falar, procure se acalmar antes de tomar qualquer atitude, torne-se mais prudente e, substitua o rancor pelo perdão e o orgulho pela humildade de querer aprender a jogar.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Influência da História na história da minha vida

Gosto de aprender sobre a História. Tenho vários livros sobre o tema e a coleção completa da revista Aventuras na História. Não gosto de decorar datas, prefiro os assuntos que tem a ver com a minha realidade. E por falar nisso, quanto da história de cada pessoa é resultado de suas próprias escolhas ? E quanto dessa história resultou da influência dos outros na sua vida ? O homem é consequência do meio em que se vive ou é consequência do homem ?

A influência que a família Meira, as escolhas que frequentei, meu colegas, igreja, as músicas que escutei, os livros que li e reli, foi enorme na costrução da minha história. Sei que sou resultado do tempo e local que nasci. Mas também sei que as escolhas que fiz e faço faz parte do que sou hoje. Mas até que ponto eu estive no comando da minha vida ?

Eu sou pobre porque venho de uma família pobre. Mas será que sempre serei pobre ? Imagino alguns de vocês respondendo: "sim Well, você vai morrer pobre. Não adianta pensar diferente. Nada vai mudar." Outros diriam: "Você nasceu pobre mas não precisa morrer pobre. Reconstrua sua história"

Será que a história é mesmo um destino que está escrito e predeterminado para mim ? Quero construir a minha história. E isso não significa que vou ignorar o meu passado e exigir o impossível. Significa que sei o que quero e que sou realista. Significa que sou ousado para propor mudanças na minha vida para melhor. Significa que que tenho que me preparar, para ser um melhor competente, e assim implementar as mudanças necessárias.

Enquanto o conformista aceita tudo e enquanto o otimista se revolta com seu passado, o realista se prepara melhor para agir. E provocar mudanças na história da sua vida.

O mundo em que vivemos nos infuencia sim, mas não nos limita. Há possibilidades reais de mudanças. Pense nisso.